sábado, 10 de abril de 2010

Capitulo 17 - Confissões

Boa Pascoa =)
Mais uma vez obrigada pelos comentários e tambem queria agradecer às visitas que faltam apenas 556 para as 20.000 :D
Desculpem o tempo que demorei a traduzir, mas este capitulo é relativamente maior do que os outros.
Para quem quiser saber um pouco mais da vida da tradutora, deixo-vos aqui um link para o meu blog ;) Alexandra Santos

E só agora é que reparei que aqui no blog, não se destingue quando o Edward fala e logo aseguir pensa, querem que para o próximo capitulo meta o pensamento do Edward entre "" ou querem que meta as falas ?
E boas leituras, leiam devagarinho =) e deixem comentários ;P



17 -> Confissões

Os olhos de Bella já não vacilavam em mim no momento em que deitei-me na relva macia, contemplava as árvores altas à volta do campo. Assim que ela se sentou, as suas mãos apertarem as pernas ao pé do seu peito, fechei os olhos. Eu não esperava uma reacção tão calma. Ou tão tranquila. Isto não é uma coisa boa, tentei convencer-me, mas a emoção que senti foi de alegria.

A minha pele ao sol, não era algo que qualquer pessoa poderia ver na sua vida e se por acaso alguém visse, seria a última coisa que via.

Ao sol, o mármore fora transformado em diamantes da mais alta qualidade. Com a minha camisola aberta mostrei cada faceta cintilante em que o sol acertava e fazia reflexo, pareciam pequenos arco-íris em que brilhavam em todos os sentidos.

Uma brisa doce e suave passou pelos fios de cabelo da Bella e o seu odor veio até mim, vez e vez sem conta. Eu mantive-me imóvel e permaneci com os olhos fechados.

Se eu antes era uma escultura, agora excepto o movimento que fiz para abrir os olhos para olhar para a Bella enquanto ela lentamente estendeu a mão para acariciar a palma da minha mão apenas com um dedo. Nesse mesmo instante, o fogo começou na minha mão e estava a subir para o braço. Apenas com um quente e suave toque, ela incendiou-me.

Os olhos dela encontraram os meus assim que os abri, forcei um leve sorriso para encobrir a ansiedade na minha pergunta.

- Não estás assustada ?

- Não mais do que o habitual. Com esta resposta retribui um enorme sorriso e Bella aproximou-se mais de mim. Fechei de novo os olhos e senti a mão dela a tremer assim que percorria o meu antebraço, com as pontas dos dedos. Eu perguntava-me se seria por eu ser tão frio para a pele dela ou porque ela era sagrada. Mas nenhuma das opções era do meu agrado.

- Importas-te ? Ela perguntou-me calmamente.

Importo-me ? Porque é que me deveria importar ? Para mim, isto era magnífico, o toque de outro ser tão quente, o dela, que era fora deste mundo. Bem fora do meu mundo, pelo menos.

- Não, tu não consegues imaginar o quanto isso me faz sentir bem. Ela estava apenas curiosa pela textura externa da minha pele ou ela realmente gostava de lhe tocar ?
Suspirei.

O que ela tinha em mente era explorar o meu braço, com a outra mão, perseguiu a minha. Senti uma pausa em que ela alcançava os meus dedos, sacudi a mão e olhei rapidamente, tão rápido para o olho humano. Eu nunca podia saber como ela reagia.

- Desculpa-me. É demasiado fácil ser eu próprio contigo. Disse-lhe suavemente.

Ela ainda estava a examinar a minha mão. Abri os olhos para olha-la com curiosidade que ela se aproximava da minha cara, conseguia sentir a respiração dela na minha pele.

As minhas mãos lançaram pequenos arco-íris pela cara dela. Ela ficou tão brilhante.

- Diz-me o que estás a pensar. A mente silenciosa dela, surpreendia-me sempre. - É ainda estranho para mim, não saber.

- Tu sabes o que o resto das pessoas sentem o tempo todo. Ela provocou-me.

O resto das pessoas ? Ela empurrou-me para fora do círculo da normalidade, só com uma frase. Isto fez-me sentir ... Bem, nem sei qual era a sensação. Mas agradável, não era.

- É uma vida dura. Continuei. - Mas ainda não dizes-te.

- Eu estava apenas a desejar saber o que tu estavas a pensar... Perguntou cansada.

- E ?

- Eu desejava acreditar que tu és real e queria que não tivesse medo.

- Eu não quero que tenhas medo. Conforme disse tais palavras, percebi o quanto elas eram verdadeiras. A dor que o odor de Bella causou seria insignificante comparado com o que sentiria se alguma vez magoasse esta frágil rapariga. Eu sabia que essa dor seria mil vezes pior do que eu suporto diariamente.

- Bem, não é exactamente o medo que quis dizer, pensei que era certamente alguma coisa que preocupasse.

O que ela disse, surpreendeu-me. Tanto que eu meio que sentei-me e encontrei a cara dela mais perto do que esperava. Mas ela não recuou. Os meus olhos fechados em frente aos dela, com um forte odor, mais do que nunca e esta proximidade. - Do que tens medo, então ? Pressionei.

Mas em vez de responder-me ela aproximou-se mais ainda. A cara dela quase que tocava na minha e a sua respiração deixa-me completamente insano. Assim que ela inalou, retirei a minha mão da dela num piscar de um olho humano, eu fiquei de pé, nas sombras, na borda do prado. Bella concentrou-se em mim com o choque estampado na cara.
Pensei ver o vislumbre de uma outra emoção. Dor ? Não .. Dor. Eu tinha magoado os sentimentos dela, antes de sequer fazer qualquer coisa.

- Eu .. peço .. desculpa .. Edward. Ela sussurrou calmamente.

- Dá-me um momento. Eu disse de volta, alto o suficiente para que ela ouvisse.

Fiquei a olha-la de uma certa distancia. Esta distancia .. era o que eu deveria ter mantido entre ela desde o inicio. Isto era quase a distancia "segura" entre nos. Não. Não há nenhuma distancia segura para ela.

Mantive os meus olhos na cara dela, com cuidado para não voltar a alarma-la de novo. Comecei a andar lentamente para trás. Não permiti chegar tão perto dela como da a pouco o tinha feito, não tão cedo. Por isso parei e sentei-me na relva. O odor dela encontrou-me novamente, já contava com isso. Inspirei profundamente, algumas vezes e dei as boas vindas ao ardor que provocava.

Sorri o meu sorriso mais humano e disse. - Sinto muito, desculpa-me.

Havia alguma maneira normal de pedir desculpa por ser um vampiro ?

Ouvia o coração dela a bater mais, altíssimo e o sangue a percorrer as veias com pressa. Esta reacção já era familiar. Esta emoção, eu conhecia. Medo. Medo passou pela cara de Bella.

Embora eu continuasse a sorrir, ela começou a sentir-se mais melancólica agora. Esta era a chance que tu querias. Agarra-a. Faz agora. Fá-la fugir de ti.

- Eu sou o predador mais perigoso do mundo. Tudo em mim serve para atrair; a minha voz, a minha cara, até o meu cheiro. Como se eu precisasse disto!

Saltei arrogantemente e corri para onde ela não me pudesse ver. Dentro de meio segundo deixei um rastro de vento atrás de mim, percorri o prado inteiro duas vezes e afastei-me da minha distância "segura" sobre as sombras de uma árvore de abeto.

Ela precisa de saber o que é que eu sou.

- Como se pudesses apanhar-me. Um riso hostil rasgou da minha garganta assim que arranquei um ramo grosso de uma árvore. Exibi-o, permaneceu na minha mão por um momento, antes de lança-lo tão rápido, que tenho a certeza que Bella nem o viu voar, apenas ouviu o barulho que fez quando se partiu em choque com outra árvore. Ela estremeceu com o barulho.

Após o barulho desvanecer, eu já estava ao pé dela, a pouca distância.

- Como se pudesses vencer-me. Disse mais calmamente. Isso pareceu trazer-lhe mais medo. As mãos dela tremiam um pouco.

Bella não se mexeu, mas a cor dela desapareceu e os seus olhos eram incapazes de ver o meu olhar hostil. Já fizes-te. Agora, vai-te embora. Abandona-a aqui. Mostra-lhe o monstro que és.

Eu já não conseguia mexer-me e a cada segundo que passava, eu percebi que era eu que não conseguia encontrar tirar o meu olhar dela.

A melancolia triste girava em minha volta. Falei de novo, muito mais suavemente. - Não tenhas medo. Eu prometo ... Isso não era o suficiente para ela ou para mim, neste ponto. Sentei-me, as nossas caras estavam separadas por menos de um palmo.

- Por favor, perdoa-me. Estas palavras soaram de uma maneira final, ligeiramente ensaiado até. - Eu consigo controlar-me. Tu apenas apanhaste-me desprevenido. Mas agora, estou bem comportado.

O coração de Bella permaneceu no mesmo tom. Tinha que esforçar-me mais para coloca-la de novo à vontade. Eu queria que ela voltasse a estar de novo à vontade ?

- Não estou com sede hoje, honestamente. Menti um pouco e pisquei o olho para acrescentar efeito à minha tentativa falhada de humor.

Ela expirou e começou a rir espantada.

- Estás bem ? Perguntei calorosamente conforme colocava a minha mão de volta, onde a tinha tido antes.

Ela não respondia, entretanto olhou para baixo, para a minha mão na dela e depois para os meus olhos. Deve ter visto alguma coisa neles que ajudou a relaxar, as batidas do seu coração, tornaram-se mais tranquilas e ela começou a passar os dedos quentes pela minha mão fria.

Quando ela olhou novamente para mim, respondeu às minhas preocupações com um sorriso doce e eu devolvi-lhe um sorriso aberto.

- Então, onde é que nós estávamos, antes do meu rude comportamento.

- Honestamente, já nem me lembro. Ela finalmente falou.

- Eu penso que nós estávamos a falar sobre o porquê de estares assustada. De volta a este assunto, senti-me um pouco culpado. - Isto é, além da razão óbvia.

- Oh, certo.

- Bem ? Pressionei.

Ela não respondeu. Em vez disso, o foco dela estava ainda na minha mão enquanto ela estava perdida nos seus pensamentos privados. Oh isto ia-me deixar-me louco até ao final do dia. Odiei não saber o que passava pela mente dela.

- Como fico facilmente frustrado. Suspirei e Bella olhou para cima e o quer que fosse que ela encontrou na minha cara, acalmou-a.

- Eu estava assustada porque, bem, para além das razões óbvias eu não posso ficar contigo. Ela olhou para baixo, para as minha mãos, parecendo um pouco embaraçada e continuou. - E temo que gostaria de ficar contigo, mais do que deveria.

Ah. Pensei. Percebi tudo muito bem, o que ela quis dizer. Sentia-me igual. Pois, queria-a quando não o deveria fazer.

- Sim. Começei calmamente. - Isso é algo para se temer, de facto. Quereres estar comigo. Isso realmente não é uma coisa boa.

A sobrancelha de Bella começou a reagir às minhas palavras.

- Eu sei, eu já deveria ter partido há muito tempo. Suspirei mas continuei a dizer a verdade, como sempre o fazia na presença dela. - Eu devia ir agora embora ... Mas não sei se consigo.

- Eu não quero que vás. Ela disse quase incompreensível, o calor da cara dela voltou.

- Que é exactamente o porque que deveria ir. Mas não te preocupes. Sou essencialmente uma criatura egoísta. Gosto demasiado da tua companhia para fazer o que deveria.

- Fico contente por isso. Disse-me ela e fiquei um pouco frustrado com tais palavras.

Gentilmente esta vez, tirei a minha mão da dela. - Não fiques! Tive de dize-lo sem rodeios para ela perceber. Tirei o olhar da cara dela e olhei para a floresta, para que não vacilasse quando voltasse a falar. - Não é apenas a tua companhia que gosto! Nunca te esqueças disso. Nunca te esqueças que eu sou mais perigoso para ti, mais do que para qualquer outro ser humano.

Ela fez silêncio por um momento. Estaria agora com medo?

- Eu acho que não percebi exactamente o que quiseste dizer; pelo menos até à última parte.

Naturalmente. Confusa. Curiosa. Sempre o mesmo. Eu não sei porquê que mantive expectativas que ela se assustasse. Eu já deveria saber isto, ela está sentada e plenamente consciente e sozinha, numa floresta com um vampiro, vai ser preciso mais do que palavras para explicar. Este pensamento fez-me sorrir e olhei para a cara dela.

- Como posso explicar ? E sem, assustar-te novamente. Hummm ... Mantive os meus olhos na cara dela e a minha mão voltou para a dela e desta vez ela agarrou-a com as duas mãos e apertou-a.

- Isto é surpreendentemente agradável, o calor. Olhei para ambas as mãos.

Tentava pensar na melhor forma para lhe explicar como ela era para mim.

- Tu sabes como todas as pessoas gostam de diferentes sabores ? Isto foi o melhor que consegui pensar, por agora. - Algumas pessoas adoram gelado de chocolate e outras preferem de sabor a morango.

Ela acenou com a cabeça.

- Desculpa, pela analogia dos alimentos. Eu não consegui encontrar outra maneira de explicar.

Ela sorriu e entendeu o que quis dizer. Sorri novamente desculpando-me.

- Tu vez que cada pessoa, tem um cheiro diferente. Uma essência diferente. Se tu trancasses um alcoólatra numa sala cheira de cervejas envelhecidas, ele beberia alegremente. Mas ele pode resistir, se ele o desejar, se ele fosse um alcoólico em recuperação. Agora, se metesses na sala um copo de Brandy com mais de 100 anos, o mais raro e fino conhaque e encher a sala com um aroma quente. Como é que achas que ele ia reagir ? Ela olhou-me nos olhos e eu tentei encontrar uma resposta nos dela. Nada.

- Talvez, esta não foi a melhor comparação. Pensei em voz alta. - Talvez, seria muito fácil resistir ao conhaque. Deveria ter feito o nosso alcoólatra viciado em heroína, em vez do exemplo que dei.

- Então, o que estás a querer dizer é que eu sou a tua marca de heroína ? Bella respondeu num tom de gozo.

Sorri-lhe.

- Sim, é exactamente isso, és a minha marca favorita de heroína.

- Isso acontece-te muitas vezes ? A pergunta dela, foi a que esperava já há algum tempo.

Olhei para as copas das árvores e lembrei da conversa que tive com o Jasper e com o Emmett.

- Falei com os meus irmãos sobre isto. Para o Jasper, cada um de vocês é quase o mesmo. Ele é o membro mais recente que se juntou à família. É uma luta constante para ele se abster-se. Ele ainda não teve tempo para crescer a sensibilidade às diferenças de cheiro, no sabor. Rapidamente olhei para a cara de Bella, para saber se a tinha ofendido de alguma forma.

- Desculpa. Perdoei-me.

- Eu não me importo. Por favor, não te preocupes se me ofendes ou não, ou de assustar-me ou qualquer coisa. Essa é a tua maneira de pensar. Eu consigo perceber, ou pelo menos tentar. Apenas explica-me da maneira que consegues.

Ela parecia demasiado relaxada. Suspirei pesadamente e olhei para longe dela, novamente. Agora, as minhas palavras fluíam mais livres.

- Por isso, Jasper não tem a certeza se já encontrou alguém como.. O que irei dizer ? Qual a melhor descrição sem a ofender ? - Apelativa como tu és para mim. O que faz-me pensar que não. Emmett é o que percebe melhor o que eu sinto. Ele disse-me que já foram duas vezes, uma mais forte que a outra.

- E para ti ? A pergunta dela apanhou desprevenido mas não queria deixar passar.

- Nunca. Respondi simplesmente e o silencio voltou ao de cima.

- O que é que o Emmett fez ? Bella perguntou.

Eu não queria dizer-lhe isto. Ela sabia que nós eram-mos monstros mas ela não precisava de saber o que é que os monstros fazem. Não havia maneira para lhe explicar isto. A minha mão tomou a forma de um punho na dela e recusei-me acabar com o silêncio que reinava.

- Eu acho que sei. Bella disse finalmente.

Depois de alguns segundos, voltei a por a cabeça no lugar e olhei para ela.

- Mesmo os mais forte caiem do pedestal, não é ? Foi o que consegui pensar de momento, para dizer em defesa do Emmett.

- O que estás a perguntar ? A minha permissão ? Bella disse abruptamente. Mas a cara dela imediatamente suavizou e quando voltou a falar a voz já estava mais gentil.
- Quero dizer, já não há nenhuma esperança, não é ?

Era isto que ela pensava ? Que eu estava apenas a guardar o tempo até ao final. Suavizando o golpe para eventualmente mata-la ? Eu não posso deixa-la pensar assim!

- Não, não! Falei mais rápido. - Claro que há esperança! Quero dizer, é claro que eu não iria.. Eu não iria ? Eu estava seguro disso ? Encarei-a e deixei a frase inacabada.
- É diferente para nós. Emmett.. eram estranhos, que aconteceu. Já foi há muito tempo e ele não estava.. praticado, cuidadoso como é agora.

Observei a cara dela numa tentativa de a ler.

- Então, se nós estivéssemos conhecido.. ah, numa rua escura ou algo do género.. Havia uma pergunta na frase. Eu queria ser honesto com ela novamente mas eu não sei se será demasiada informação para ela. Falei descuidado.

- Foi preciso todo o esforço para não saltar no meio da turma cheia de crianças e Eu não seria capaz de dizer-lhe isto. Decidi tomar uma outra direcção. - Quando passas-te por mim, eu poderia ter arruinado tudo o que o Carlisle construiu por nós, bem naquele sitio. Se eu não tivesse negado a minha sede á tantos anos eu provavelmente não conseguiria parar-me. Estava furioso comigo próprio. Eu não queria pensar sobre aquele dia quase sangrento, o que teria perdido no fim do que me tornei há anos. Olhei para ela agora e tentei clarear a minha voz. - Tu deves ter pensado que estava possuído.

- Eu apenas não conseguia entender o porque. Como poderias odiar-me tão depressa.. Interrompia e começei a falar rapidamente de novo. Palavras quase inaudíveis ao ouvido humano.

- Para mim, foi como se fosses algum tipo de demónio, convocado directamente do meu próprio inferno para dar cabo de mim. A fragrância que vinha da tua pele.. Pensei que fazia-me demente no primeiro dia. Naquela uma hora, pensei em vários modos para ficares na sala comigo, sozinha. E lutei contra eles, pensei na minha família, o que lhes faria. Tive de correr, fugir antes que pudesse dizer-te quais queres palavras, que fariam com que seguisses-me..

Olhei-a conforme ela processava tudo o que eu acabara de dizer. Vendo o primeiro dia, através dos meus olhos, Bella tinha ficado um pouco chocada.

- Tu terias vindo. Prometi-lhe.

- Sem duvida. Ela disse a tentar dificilmente esconder o tom de alarme na voz.

Olhei para baixo, para as nossas mãos. Se eu começei, eu posso continuar, pensei severamente. E então, assim que tentei reorganizar o meu horário, numa tentativa de evitar-te, tu estavas lá. Naquela sala fechada, quente e pequena, o odor enlouquecia-me. Eu facilmente fazia lá.. Mas havia outra frágil humana; que eu facilmente trataria dela.

Senti um leve tremor vindo de Bella. O sol estava quente, por isso sabia que não seria dela estar com frio. Sem levantar os olhos, continuei. - Mas eu resisti. Não sei como.
Forcei-me a não esperar por ti, não perseguir-te depois da escola. Era mais fácil quando não conseguia sentir o teu odor, pensar com clareza, tomar a decisão certa. Deixei os outros perto de casa; sentia-me demasiado envergonhado para lhes dizer o quanto fraco eu fui.
O único que sabia que havia alguma coisa de errado, fui logo procurar Carlisle, ao hospital, para dizer-lhe que estava de partida. Lembrei-me da culpa que senti naquele dia e fiz uma careta. - Na manha seguinte, já estava no Alasca. Passei dois dias com alguns velhos amigos.. Mas odeio saber que deixei a Esme em baixo e o resto deles, a minha família adoptiva. No ar puro da montanha era difícil de acreditar que eras tão irresistível. Parei por um pouco, para ver a cara dela. Com os meus olhos abertos ou fechados.
A cara dela, não me abandonou, nem por um segundo. - Convenci-me que era fraco para escapar. Já tinha passado pela tentação antes, não desta magnitude, nem de perto mas eu era forte. Quem tu fosses, uma pequena e insignificante rapariga. Olhei para ela e sorri enviesado, sabia o quanto ela gostava deste sorriso. - Para mudar-me do lugar de onde eu queria estar. Por isso, voltei.. Parei por aqui. Olhei para longe, para a floresta. Esperava uma resposta da parte dela. Mas nada surgia, por isso achei melhor continuar com as explicações.

- Tomei providências, caçei, alimentei-me mais do que o habitual antes de voltar-te a ver. Estava seguro que era suficientemente forte para tratar-te como qualquer outro ser humano. Agora tinha sido um pouco arrogante.

- Era sem dúvida uma complicação, eu simplesmente não conseguia ler os teus pensamentos para saber a tua reacção em relação a mim. Eu não estava habituado a usar medidas indirectas, escutar as tuas palavras através da mente da Jessica.. A mente dela não era nada original e era aborrecido passar pela cabeça dela. E depois não conseguia saber se era mesmo o que tu tinhas dito. Era tudo realmente irritante. Fiz uma pausa e lembrei-me do trabalho de estar na mente cínica da Jessica mais tempo do que geralmente gostava.

- Eu quis que esquecesses o meu comportamento do primeiro dia, se possível, por isso tentei falar contigo como faria com qualquer pessoa. Estava realmente ansioso, esperava decifrar alguns dos teus pensamentos. Mas tu eras bastante interessante, encontrei-me preso às tuas expressões.. E de vez enquanto e agora quando tu mexes no cabelo, com a mão, a essência do teu cheiro volta-me de novo a deixar-me tonto..

- É claro, que quando que foste quase esmagada até à morte, mesmo em frente aos meus olhos. Depois pensei numa perfeita desculpa para a minha reacção daquele momento.
Fiz meia pausa sobre o que ia desvendar e continuei. - Porque se eu não te salvasse, se o teu sangue ficasse derramado na minha frente, eu não penso que poderia parar-me e ia expor quem era. Mas so pensei nessa desculpa depois. Porque naquele momento, só conseguia pensar, "Ela Não!"

Houve silencio agora. Os meus olhos fecharam-se. Foi preciso um longo momento para que a Bella falasse. - E no hospital ?

Levantei os olhos para ela. - Fiquei aterrado. Não podia acreditar que nós tinha posto a todos em perigo, pus-me no poder, de ti e de todos os outros alunos. Como se precisasse de outro motivo para matar-te. Recuei logo, assim que a palavra saiu. Ela fez o mesmo. Continuei urgentemente, na tentativa de atenuar este momento. - Mas teve o efeito oposto, lutei com a Rosalie, Emmett e Jasper quando eles sugeriram que agora era momento de... a pior luta que alguma vez tivemos. Fiz uma careta para as visões de Alice que inundaram a minha mente, mais uma vez. - Esme disse-me para fazer de tudo, para saber se podíamos ficar.

- Durante todo o dia seguinte, eu invadi cada mente das pessoas que tu falas-te e fiquei surpreendido por manteres a palavra. Eu não te compreendia, em nada mas sabia que não podia-me envolver mais contigo. Eu fiz o meu melhor para ficar longe de ti, todos os possíveis. E todos os dias, o perfume da tua pele, a tua respiração, o teu cabelo..
Batia-me tão fortemente como no primeiro dia. Olhei para ela agora com carinho e afecto. - E alem de tudo, se eu nós tivesse exposto, naquele primeiro momento, que agora, aqui sem testemunhas e sem nada para parar-me; podia-te magoar.

- Porque ? Ela perguntou.

Diverti-me de repente com tal pergunta. - Isabella. Disse conforme mexi no cabelo dela e o calor percorreu-me novamente, com o odor que agitou todos os meus sentidos.

- Bella, eu não poderia viver comigo mesmo se alguma dia te magoasse. Não sabes o quanto torturaria-me. Olhei para baixo de novo, sentia-me embaraçado. - O pensamento de ti ainda continua, branco, frio.. Nunca mais voltaria a ver-te corar, nunca mais veria o flash de intuição nos teus olhos quando vês através dos meus olhos.. Seria insuportável. Levantei os olhos até a cara dela e finalmente ganhei força para dizer as palavras que precisava que ela ouvisse. - Tu és a coisa mais importante para mim agora. A coisa mais importante de sempre.

Eu esperei para ela dizer-me o que estava a pensar. O quer que fosse. Se ela escolhia aceitar ou não. Eu precisava saber. Tinha de saber.

- Já sabes como sinto-me.. Estou aqui.. que, rudemente traduzindo, eu prefiro morrer do que estar longe de ti. Ela franziu a teste e manteve o olhar em baixo. - Sou uma idiota. Completou-se.

- Tu és uma idiota. É claro que concordava com ela, sorri enviesadamente à medida que disse tais palavras ela gostou e retribui-o com um sorriso tímido e olhou para mim.
Que situação estranha e completamente errada. Nada poderia ser mais perfeito.

- Então o leão apaixonou-se pela ovelha.. Disse levemente. Ela corou e desviou o olhar.

- Que ovelha tão estúpida. Respondeu-me

- Que leão tão doente e masoquista. Aumentei as etapas da idiotice.

Estava-lhe a dar falsas esperanças ou até mesmo a mim. Eu sabia que não havia maneira possível que pudesse magoa-la. E ela também parecia acreditar nisso. Mas mesmo assim.. Se eu alguma vez cometesse um erro. O preço seria enorme. Não apenas para mim. Mas para a minha família. Embora a minha dor nunca seria...

- Porque.. ? Bella interrompeu os meus pensamentos.

Voltei a sorrir-lhe. - Sim ? Incitei-a a continuar conforme o sol acertava na minha cara.

- Diz-me porque fugis-te de mim antes.

Não era uma pergunta que queria ouvir.

- Tu sabes porque. Respondi-lhe, o meu sorriso desapareceu.

- Não, quer dizer, exactamente o que fiz de mal ? Vou ter que estar em guarda, tu sabes, então é melhor começar a aprender o que não devo fazer. Por exemplo. Ela acariciou a palma da minha mão, com um dedo. - Isto parece não incomodar-te.

Isto fez-me sorrir novamente. - Tu não fizes-te nada de mal, nada de errado Bella. É culpa é minha.

- Mas eu quero ajudar, se eu puder, não tornar as coisas tão difíceis para ti.

Ela estava por um fio, aqui, e ela quer facilitar-me as coisas ? - Bem.. Começei a perguntar como iria formar a próxima frase. - É apenas o quão perto estás de mim. A maior parte dos humanos, instintivamente fogem de nós, repelidos pelo que penso, a nossa forma de extraterrestre, ... E eu não espera que tu aproximasses-te tanto. E o cheiro da tua garganta. Parei abruptamente. Teria falado demais ? Esperei pela reacção dela, como habitualmente. Impossível de saber instantaneamente, como eu conseguiria com o resto das pessoas.

- Ok, então. O tom dela era de desprezo e cortou todos os meus pensamentos rapidamente. - Sem exposição da garganta. Ela terminou e escondeu o pescoço com o queixo.
Isto fez-me rir tanto e respondi. - Não, realmente, isto foi uma surpresa mais do que qualquer outra coisa. Pensei..

Lentamente, levantei a minha mão livre e pousei-a no pescoço dela. A tentar fazer as minhas acções, de palavras de conforto. A pele suave dela, sentia-a tão maravilhosamente quente.

- Perfeitamente normal.

Senti o sangue a correr e uma linda corrida até as bochechas dela. Tornou-se a perfeita junção de cores.

- O rosa nas tuas bochechas é fica tão adorável. Disse calmamente. Sem saber se queria que ela ouvisse. Mas as minhas acções não tinham hesitação e tirei a minha outra mão da dela e segurei-lhe a cara com ambas as mãos.

- Fica muito quieta. Disse-lhe, sem saber como controlar o meu corpo, e nem queria agora, aproximei-me dos olhos dela. Eu queria mais do que tudo tocar-lhe nos lábios com os meus. Mas não estava seguro como e não sabia se era um passo demasiado arriscado. Em vez disso, eu coloquei suavemente a minha cara encostada a garganta dela. A respiração dela estava como era de esperar. Encontrei uma nova espécie de fome, sentia-a agora, assim tão perto de Bella. Uma fome que não sei como lhe chamar. Não tinha a certeza do que isto era e sem pensar deixei as minhas mãos deslizar suavemente pelo pescoço dela, para poder sentir o calor da pele dela durante mais tempo. Bella estremeceu delicadamente e parei de respirar imediatamente. Mas as minhas mãos não param, até descansarem nos seus ombros. O cheiro dominava, estava irresistível, mas novamente fiquei surpreso com isto, não era do modo que eu esperava.

Virei a minha cara de lado, senti o calor da respiração dela por cima da minha cabeça. Tentei colocar um espaço em branco na queimadura da minha garganta, por completo e concentrei-me na batida do coração dela assim que a minha cara descansava no peito dela.

- Ah! Finalmente suspirei. E continuamos sem nós mexer durante bastante tempo. Ouvi a batida rápida e incerta do coração dela a diminuir e o ardor da minha garganta fazia-me cócegas. Estava tudo pacífico. A corrente tranquila, os insectos melodiosos, o sol maravilhoso. Senti um arrepio em mim.
Como se a essência potente dela afinal não era tão forte como eu pensava.

E então, finalmente desviei-me dela e inclinei-me para trás.

- Não vai ser tão doloroso para a próxima. Disse-lhe.

- Foi assim tão difícil para ti ? Ela perguntou quase num tom confuso.

- Não tão mal como eu imaginei que seria. E tu ?

- Não, não foi mal.. para mim.

- Tu percebes o que eu quero dizer. Sorri-lhe.

Ela sorriu-me de volta sem nenhuma palavra.

- Aqui. Peguei na mão dela e coloquei-a na minha cara. - Tu sentes o quão quente és ?

Bella não respondeu mas olhou-me com uma expressão indecifrável na cara.

- Não te mexas. Ela disse no mesmo tom que eu usei com ela anteriormente. Permaneci em estatua e instantaneamente fechei os olhos.

A mão quente dela tocou a minha cara e isto quase que chocou-me. Não estava a espera disto. Mas se eu tivesse um coração eu tinha a certeza que estaria a bater mais depressa que o dela. Conforme os dedos dela passeavam pela minha cara, nos meus olhos, pelo nariz, os sentimentos que senti antes, retornaram. Mas muito mais fortes. Eu não conseguia nomeá-los e queria mais do que tudo que este momento fosse eterno. Desejava que a mão dela nunca abandonasse a minha cara. Os dedos dela percorreram os meus lábios lentamente e abri a ligeiramente a boca para inspirar. Tentava controlar a minha respiração. Algo que nunca precisei de fazer antes. Estava rápida e não conseguia entender o porque. Demasiado depressa, ela recuou. Abri os meus olhos, sem gostar da distância que nós separava. Desejava agarra-la nos meus braços. Mas impedi-me disso.
Já não sabia o que estava a acontecer-me.

- Eu desejo.. Falei quase inaudível. - Eu desejo que consigas sentir a... complexidade.. a confusão.. que eu sinto. Que pudesses entender.

A minha mão penteou o cabelo dela.

- Diz-me. Ela pressionou.

- Eu penso que não consigo. Eu disse-te mais ou menos, a fome, a sede, a péssima criatura que sou, o que sinto por ti. E penso que consegues entender, um pouco. Embora..
Sorri largamente. - Como não és viciada em nenhuma substancia ilegal, tu provavelmente não consigas partilhar os sentimentos por completo.

Ela manteve os olhos em mim conforme eu inclinava-me para tocar-lhe nos lábios gentilmente e continuei. - Mas há outras fomes. Fomes que não entendes, que até são estranhas para mim.

- Eu posso entender isso melhor do que tu pensas.

- Não estou habituado a sentir tão humano. É sempre assim ?

- Para mim ? Ela hesitou um pouco. - Não, nunca. Nunca antes disto.

Segurei as mãos dela nas minhas e disse-lhe uma verdade incontrolável.

- Eu não sei como estar perto de ti. Não sei se consigo. Mas eu queria. Eu nunca quis que estivesses longe de mim. Esta última parte não a podia dizer em voz alta.

E de seguida surpreendi-me com Bella que se inclinou na minha direcção e pousou a cara no meu peito e sussurrou. - Isto é o suficiente.

Ela estava certa.. Isto já era o suficiente. Apenas tê-la perto de mim. Protegida. Eu nunca deixaria nada acontecer a esta linda rapariga que agora estava nos meus braços.

Deitei-me e pus a minha cara na cabeça quente dela, inalei o perfume do cabelo dela. Cheirava a morangos ? Era um odor fraco, mas estava la.

- Tu és melhor nisto do que pensas. Ela interrompeu os meus devaneios.

- Eu tenho instintos humanos; eles podem estar enterrados profundamente, mas estão cá.

Sentamo-nos a ver o sol desaparecer. O céu mudou de um profundo amarelo para um escuro laranja. E a escuridão permaneceu. Agora, o céu começou a ficar num aborrecido tom cinzento e Bella suspirou, a respiração dela agitava o ar entre nós. Dei-me conta que provavelmente já eram horas de ela voltar para casa.

- Tens de ir.

- Pensava que não conseguias ler a minha mente. Ela disse-me.

- Está a ficar mais clara. Zombei. Oh, eu queria que fosse verdade. Mas a mente dela estava tão silenciosa como sempre. E agora, ocorreu-me algo. Animei-me. Agarrei-lhe nos ombros e puxei-os para trás. Ela olhou para mim com confusão para a minha súbita alegria.

- Posso mostrar-te uma coisa ? Perguntei-lhe.

- Mostrar-me o que ?

- Agora vou mostrar-te como viajo pela floresta. Fiquei encantado com a ideia de mostrar-lhe como corro. Mostrar-lhe a minha velocidade.

Agora Bella olhou-me ainda mais confusa e tremeu ligeiramente.

- Não te preocupes, estares bastante segura e assim estarás de volta ao teu carro muito mais depressa. Dei-lhe metade de um sorriso.

- Vais transformar-te num morcego ? Ela perguntou baixinho.

Explodi de tanto rir. Eu não sabia se era da cara dela ao perguntar-me isto ou se era da antecipação de não ter nenhum vampiro para partilhar isto mas eu ri alto e com vontade. Mais alto do que alguma vez ri.

- Como eu não ouvi isso antes!

- Certo, tenho a certeza que tens todo o tempo.

- Vá lá, não tenhas medo, sobe para as minhas costas.

Ela olhou para mim como se acabasse de contar-lhe uma piada de mau gosto. Por isso, sem gastar mais tempo a convence-la, estendi a minha mão para puxa-la para as minhas costas. Sentia o coração dela a bater como uma borboleta. O odor dela perseguia-me assim que ela segurou as pernas e braços à volta do meu corpo. A cara dela ficou ao lado da minha. A respiração dela no meu pescoço.

- Sou um pouco mais pesada do que a tua mochila. Ela avisou.

- Aha! Expirei. Ela não se ia livrar de mim.

Peguei na mão dela e pressionei na minha cara, respirei profundamente.

- Cada vez mais fácil. E isto era verdade.

Depois, começei a correr.